Os índices apontam que a commodity vem com um excelente desempenho na última década. Conheça as possibilidades de investimento no metal e como ele pode ser rentável
Por Andressa Marques - Redação Expo Money
Você já pensou em investir em ouro? Além de ser um metal usado na produção de brincos, colares e pulseiras, o ouro é encarado por muita gente como uma forma – que dá certo - de diversificar os investimentos. Mas será que investir no metal é mesmo um negócio rentável?
Há quem garanta que o metal é um verdadeiro porto seguro! Ma como nada é unanimidade, há também especialistas que preferem ser mais cautelosos e defendem a hipótese de que o investidor precisa estar muito bem preparado para flutuações da cotação.
Independente das opiniões, vamos aproveitar o começo desta semana para analisar essa modalidade de investimento e faturar com o ouro. Para você, um dado interessante:
• Em 2010, o metal teve valorização superior a 33%, enquanto a Ibovespa, no mesmo período, só conseguiu cravar a marca positiva de 1,04%.
Embora a premissa de que “rentabilidade passada não está relacionada a rentabilidade futura”, a do investimento dourado tem sido boa nos últimos três anos, o que tem atraído muitos investidores.
Há quem se anime e encare como o melhor investimento aplicar toda a reserva no que é uma das melhores commodities metálicas, certo? Na verdade, depende. Para a sócia-diretora da PYXIS Academia de Investimentos, Elaine Mello, o ouro é uma modalidade de investimento que pode se adequar a qualquer perfil de risco e até mesmo para todos os bolsos, desde que se tenha a consciência de que é direcionado a médio e longo prazo.
Por outro lado, o diretor de negócios internacionais do World Trade Center Belo Horizonte (WTC BH), Leonardo Scarpelli, explica que os investidores com perfil mais agressivo, isto é, que querem ter um ganho maior em curto prazo, não encontram essa possibilidade no ouro e, por isso, podem ficar desmotivados com esse investimento. “Lembrando que os investidores que buscam ganhos maiores em prazos menores, encaram um risco mais alto”, ressalta Scarpelli.
Crise x ouro
Em momento de dólar enfraquecido, somado as guerras em países do Oriente Médio e a inflação que assusta países emergentes, pode resultar em uma mudança repentina do investimento? Mesmo diante das crises, sejam elas econômicas ou geopolíticas, que prejudicam o investimento em renda variável, o metal dourado pode fazer muita gente sorrir. “As crises financeiras estão afetando as maiores economias do mundo, como os Estados Unidos e a Europa que, por sua vez, estão oferecendo menores garantias de arcar com seus compromissos. Sob esse cenário, vários investidores, até agressivos, estão optando pelo o ouro que não é afetado por essas crises globais. Essa demanda tem gerado uma alta”, comenta Scarpelli.
O quarteto do ouro
Para você que está interessado em investir no ouro, o consultor do programa Uso Consciente do Dinheiro do Itaú-Unibanco (ITUB3, ITUB4) e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Jurandir Sell Macedo, explica que uma das modalidades são as jóias.
“Este é um costume antigo, as alianças de ouro marcam as uniões de casais há muito tempo. Aqui o principal motivo não é somente investimento, mas também um bem de consumo. O ouro pode ser investimento, mas a maior parcela do valor de uma jóia é o trabalho do ourives e esse não costuma ser pago no momento de uma revenda”, alerta. A procedência do metal também deve ser alvo de atenção, já que nem sempre as peças são 100% puras e levam na produção outros itens que podem desvalorizar a jóia em caso de uma avaliação.
Outra opção são os fundos de investimentos geridos por profissionais que aplicam em ouro. “Para aqueles que querem investir no metal, é a melhor opção”, aponta Macedo. Apesar de ter um risco um pouco menor, normalmente, a desvantagem é que a pessoa que investiu não ganha todo o índice de valorização do metal.
Há, ainda, a compra de barras de ouro com entrega física que, normalmente, são pequenas barras de ouro, muitas vezes colocadas em embalagens sofisticadas ou ainda em cartões estampados com clubes de futebol. O consumidor pode comprar em lojas especializadas e até pela internet. “O ouro normalmente é mais caro do que o valor de mercado e no momento da venda o consumidor terá um deságio que pode ser significativo. Outro aspecto a levar em conta é o risco de roubo e/ou os eventuais custos de armazenamento como o aluguel de cofres em banco”, enumera Macedo.
Uma quarta alternativa é apostar na Bolsa de Mercadorias e Futuros. Nesse caso é necessário ter um CPF ativo, realizar um cadastro e apresentar documentos para comprovação de dados. “Investir em ouro é um procedimento relativamente fácil”, comenta Elaine Mello, da PYXIS.
Ouro na BMF&BOVESPA
Na BM&FBOVESPA (BVMF3) tudo é intermediado por corretoras de valores ou bancos e as negociações são por meio de lote-padrão mínimo de 250 gramas, o equivalente a, aproximadamente, R$ 20 mil. Há ainda, opções fracionadas como 10 gramas ou até 0,0225 gramas. Vale ressaltar que para as movimentações, assim como no mercado de ações, são cobradas taxas por operação que variam de cada corretora. Para se ter uma ideia, em operações normais, a alíquota básica pode chegar a 0,5%, enquanto para operações realizadas no dia, essa porcentagem é, em média, de 0,1%.
Mercado de Balcão
Por fim, há o mercado de balcão, onde as operações são mais simples e as quantidades adquiridas podem ser menores. Porém, os preços são maiores do que os praticados na BM&FBOVESPA. “Neste caso, o ouro é comercializado laminado ou em barras, que podem pesar 1 grama, 2 gramas, 5 gramas, 7 gramas, 10 gramas, 25 gramas, 50 gramas, 100 gramas, 250 gramas ou 1 quilograma, não havendo um limite mínimo nem máximo de investimento”, explica Elaine.
Ela ressalta ainda que com relação à tributação sobre os ganhos auferidos, rendimentos e operações com ouro, incidem em 20% referente a alíquota do Imposto de Renda. “O imposto deve ser pago mensalmente, até o último dia do mês subsequente ao que se realizou a operação. Estão isentas de tributação do IR [Imposto de Renda] somente as operações em que o valor das alienações referente aos ganhos líquidos auferidos, realizados em cada mês, seja igual ou inferior a R$ 20 mil”, esclarece.
A especialista acha prudente diversificar a carteira e, portanto, nunca concentrar o capital em uma única alternativa de investimento e conclui: “é sempre uma decisão acertada”. Pesquise, analise a opção e faça bons investimentos!

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